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domingo, 19 de julho de 2009

Tostão: Cruzeiro tropeçou na alma (Folha, 19/07/2009)

O artigo original do Tostão é sobre o Cruzeiro e a recente perda da Libertadores, mas o trecho abaixo se aplica como uma luva aos nossos atletas. Na verdade, por que não, a qualquer grupo de atletas.

“(...)

Cada atleta é de um jeito e reage de uma maneira diferente às emoções de uma partida importante. É preciso separá-los para se ter uma abordagem emocional feita por um psicólogo em um trabalho a médio prazo. Mas a maioria dos clubes só gosta de palestras ocasionais, motivadores, de autoajuda.

Existem jogadores que crescem da adversidade. São geralmente ambiciosos e perfeccioonistas. Isso é fundamental para ser um craque. Outros se inibem quando são vaiados, criticados e enfrentam grandes dificuldades.

Há atletas mimados, que só jogam bem se forem destaques da equipe. Ao lado de jogadores melhores, como em uma seleção, se apagam. Outros preferem ser coadjuvantes. É mais fácil. São os obedientes e cumpridores dos esquemas táticos. Muitos técnicos adoram esses atletas.

Existem os deslumbrados, narcisistas, que se acham melhores do que realmente são. Sentem-se perseguidos pela imprensa, que não daria a eles os elogios que acham que merecem.

Vi atletas calados, tímidos, que ficavam desinibidos e possessos dentro do campo. Vi também muitos falantes e brincalhões, que morriam de medo diante de uma maior responsabilidade.

São apenas alguns exemplos. O mais comum é o mesmo atleta possuir várias dessas características, às vezes contraditórias. A alma humana tem muitos mistérios.

(...)

Além do talento, o atleta ideal seria o que jogasse com muita garra, sem perder o controle das emoções; que fosse seguro, confiante, sem perder a autocrítica; e ambicioso, sem perder a consciência de que a força coletiva é essencial para o sucesso individual.

(...)”

Meu destaque para o trecho em azul é por causa da velha dúvida que todos temos de vez em quando: por que é que esse técnico insiste com esse perna de pau??? (nem cito nomes, pois isso se aplica a todos). Aliás, em determinados momentos, esse jogador mais confiável pode até ser importante para o time, é a “voz” do técnico em campo e pode dar estabilidade ao grupo, desde que não seja muuuuito perna de pau…

sábado, 18 de julho de 2009

Tá feio que dá dó e Debatetira#44

Posso garantir que na minha provecta idade já vi muitas fases ruins do São Paulo, numa época em que eu até ia a estádios com mais frequencia, mas a fase atual tá feia que dá dó. Não saberia dizer se é pior ou igual às do passado, mas essa é agravada pelo fato de estarmos mesmo mal acostumados. Não que isso seja um defeito, mas no final dos anos 70 no máximo esperávamos ser campeões paulistas. O Brasileiro de 77, nosso primeiro, foi uma surpresa para todo mundo, inclusive nós.

Jogadores podem derrubar um técnico, o que parece ter sido o caso de Muricy, seja pelo ambiente existente entre os profissionais, seja por falta de pulso do técnico, seja por falta de caráter dos jogadores, enfim, não importa. Porém, quando o técnico vai embora, normalmente as coisas entram nos eixos – vide o atual time do Palmeiras com o interino e feio Jorginho - mas isso parace bem longe de acontecer no São Paulo.Edison - Preleção Ricardo Gomes

Um time pode ser formado por grandes jogadores e obter resultados muito abaixo do esperado, como foi o galático Real Madrid de Luxemburgo. Ou ter jogadores medianos, porém esforçados, e jogar como um TIME e ser campeão, como é o caso do Corinthians de Mano.

Já vejo o pessoal discutindo a saída do Ricardo Gomes, se ele vai comer panetone no Morumbi ou não, se um técnico com mais pulso seria bom ou não, Leão, Luxemburgo e blá, blá, blá… Não sei, me parece que estamos mirando no alvo errado, embora, confesso, não tenha certeza de onde seja o correto.

Não é possível que o Hernanes tenha se esquecido de como pedalar e driblar seus adversários, de chutar de fora da área com força e precisão. Tampouco me parece que ele esteja fazendo isso de propósito, seja lá qual for o propósito. Sinceramente, ele não me parece ter esse tipo de caráter. Diz-se com vergonha. O mesmo pode-se falar de vários outros jogadores, embora eu não tenha a mesma certeza sobre o caráter de todos.

Se havia um complô não era só contra o técnico, era contra o clube e sua torcida. Isso não passaria despercebido pela diretoria. São competentes demais para isso.

Acredito sim que houve um desgaste de egos entre os atletas e Muricy, que descambou como uma bola de neve para essa fase ruim que estamos passando. Ainda não sei se Ricardo Gomes, a incógnita, é a solução – 4 ou 5 jogos é muito pouco para avaliar o trabalho dele, principalmente quando os jogadores atuam tão abaixo de suas possibilidades.

Não acredito em complôs onde ninguém tem nada a ganhar. Já disse e repito, frutas podres têm que ser retiradas da fruteira.

Na má fase há pelo menos dois caminhos a seguir: ter paciência e trabalhar até a boa fase voltar ou dar porrada em todo mundo e fazê-los jogar na marra.

Meu voto vai para primeira alternativa. Acho mais garantida. Não creio que a gente vá lutar para não cair esse ano, mas é muito cedo para estabelecer metas muito ousadas – para a atual conjuntura – como ser campeão ou até classificar-se para a Libertadores. Afobação não leva a lugar nenhum. A meta agora é colar os cacos e planejar para o ano que vem.

Mas o que eu queria mesmo era queimar a língua e ser tetra-campeão.